" A população também falou de mujimbos que chegam e declaravam acabada a guerra, as pessoas podiam andar de um lado para o outro, mas os soldados disseram não é bem assim, ainda não há paz, só se anda à procura dela, mas é difícil econtrar nestes caminhos e descaminhos das montanhas e Ulume achou que eles tinham razão, a paz era uma pomba branca como lhe tinham explicado da outra vez e como seria possível encontrar uma pomba naquele matagal todo que ficava para este e para oeste da Munda central, sem já falar nas savanas do norte e nas chanas do sul, e ainda fosse um rinoceronte, agora uma pomba, sim, de facto ia demorar tempo até se encontrar a paz e por isso era melhor recuarem, procurarem outro poiso mais no coração da Munda, não na direcção que tinham procurado, mais para a direita, havendo de existir um vale como este, definitivamente proibido agora, conspurcado pela preença de homens de verde e de arma na mão".
O Primeira Fila é um blogue dedicado à cultura. Especialmente à cultura na cidade do Porto mas vai muito além disso. É um blogue dedicado à cultura em todas as suas formas: à arte, ao cinema, à literatura, ao teatro, à música.
O blogue ainda está no início mas promete. Visitem, leiam, comentem. Ficamos à espera :)
Há muito quem diga que apesar da oferta cultural do Porto ser extraoridnária ainda não existe grande público para a cultura na cidade.
Sinceramente, não partilho da opinião.
Tentei arranjar bilhetes de teatro com 3 dias de antecedência para o "O ano do pensamento mágico" e não consegui. Os bilhetes estavam esgotados.
Tentei arranjar bilhetes para a peça "A Mãe" a dois dias dela sair do TNSJ e já não havia bilhetes...
Ontem fui eu toda lampeira ao Fantasporto, 15 min antes da sessão do filme que queria ver e... já não havia um único bilhete nem para a sessão do Grande Auditório, nem para a sessão do Pequeno Auditório.
A cultura no Porto começa a tornar-se elitista... um elitismo do tipo que exclui as pessoas que, como eu deixam tudo para a última da hora.
Mas ainda não desisti de ir a esta edição do Fantasporto. Para a próxima vou com antecedência. Eles que me aguardem!
Nos dias que correm qualquer ser humano que ligue a sua televisão depara com uma série, ranhosa, de vampiros. O que começou por ser uma moda de miúdas de uma faixa etária estreita está a tornar-se uma obsessão que alastrou, muitissímo infelizmente, à televisão portuguesa.
Depois do sucesso da saga twillight e dos livros ridículos sobre vampiros e miúdas humanas que se apaixonam e relacionam com vampiros, que se aproximam muito perigosamente do plágio, esse fenómeno estendeu-se ao cinema. Estendeu-se também aos media que se deram ao trabalho de entrevistar incontáveis e incontáveis adolescentes histéricas por comprar um livro ou adquirir um bilhete de cinema. Neste momento os três canais principais portugueses em sinal aberto têm uma série de vampiros, tendo a SIC e a TVI se dado ao trabalho de realizar séries portuguesas e de elencos muitissímos originais (hahahaha).
Li os três primeiros livros do "Crepúsculo" pois não sou dotada de uma superioridade/arrogância intelectual que me impeça de ler livros abaixo de "prémio nobel". Até porque acho que as pessoas que mais se vanglorizam por só ler escritores de alto gabarito são aquelas que de vez em quando lêem a revista Maria em segredo e se deliciam com os livros da Margarida Rebelo Pinto. Leio porque gosto e porque me dá prazer e não faço o frete de ler um livro (de uma forma geral). Li Sthefenie Meyer como também leio Saramago, Lobo Antunes, Garcia Marques, Paul Auster, Jorge Amado, Irving Wallace ...e pretendo continuar a ler! Este post não existe para defender a saga crepúsculo. Li os livros rapidamente e gostei da história mas reconheço que não são literatura e são um pouco vazios naquilo que é essencial num Livro com letra maiúscula.
"Coincidências"
A série que estreia hoje na SIC chama-se Lua Vermelha, o nome do segundo livro da saga crepúsculo chama-se Lua Nova, e conta a história de uma humana que apaixona por um vampiro bonzinho. Curioso: essa é a história da saga twillight escrita por Stephenie Meyer. Mais curiosamente o nome da protagonista dessa saga é Isabella e a da série da SIC é Isabel. As "coincidências" são infinitas: desde o elenco, à semelhança física das personagens do filme com as da série, aos cenários que passam nas publicidades da SIC, entre outros inúmeros pormenores: os olhos do protagonisa também mudam de cor, pelos vistos a pele também cintila, e as passagens da série que passam na publicidade são iguais às dos livros quando a Bella vê os vampiros que almoçam na cantina e uma amiga lhe explica que eles são muito estranhos e o tal Edward ou Afonso, whatever, é muito giro mas nunca anda com outras miúdas.
É Patético, ridículo. Se isto não é plágio... Mas as coisas ridículas são um círculo sem fim: as publicidades da SIC a toda a hora, os anúncios da Cláudia Borges sempre a passar...
Empobrecimento Televisivo Tudo isto entristece-me por um motivo que nada tem a ver com vampiros nem com falta de imaginação. Entristece porque significa que a nossa televisão está disposta a tudo, até ao ridículo, para conseguir a atenção de um bando de miúdas e miúdos- e gente mais crescida também- que anda cega com a moda das histórias de vampiros. Entristece este empobrecimento gritante da televisão portuguesa que eu pensei que não podia ficar pior depois da inundação das telenovelas, do "Salve-se quem puder", do "não há crise" do "Tá a gravar" e de tantos outros.
Oferecer isto ao telespectador, só isto, e aqui é que está o problema, é insultar a sua inteligência e fazê-lo perder o seu tempo.